"Era a dança da ralé nos bailes `Bragados´ da região rural missioneira, com movimentações dos corpos sugerindo macacos bugios durante o ato sexual. É muito popular não só nas missões como no planalto médio e campos de cima da serra”. O Bugio é essencialmente brasileiro.

     Nasceu no Rio Grande do Sul, nos braços do gaiteiro Wenceslau da Silva Gomes, conhecido como Neneca Gomes, nas serras do Mato Grande, distrito de São Francisco de Assis em 1928. Neneca com uma gaita de botão começou a imitar o som emitido por um macaco, conhecido como bugio.

     Nasceu o ronco do bugio. O tema desenvolveu-se mais em função da dança, tendo por inspiração o caminhar do Bugio. Foi considerada como dança de pessoas de baixo nível. Hoje, seccionadas os aspectos sensuais, é muito executada nos bailes tradicionalistas.

     Gênero de origem essencialmente instrumental com peculiaridade no sim onomatopaico que o gaiteiro tira especialmente na mão esquerda ( Baixos ), imitando o ronco do bugio. A identificação poética do bugio com o tema musical "Bugio” apareceu a primeira vez em 1951. O Bugio foi incorporado ao repertório musical do Rio Grande do Sul e teve inúmeras gravações, sendo que em 1955 os Irmãos Bertussi levaram o primeiro Bugio ao disco, gravando "O casamento da Doralíce”.

     Quanto aos passos do Bugio, sua movimentação é idêntica a da vaneira. A diferença está na passagem do segundo para o terceiro movimento do passo, onde os dançarinos dão um pulinho e tiram os dois pés do chão. Coreografia dos passos: compasso binário em ambos os lados e bem marcado (2 e 2 )

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     Segundo o folclorista argentino Joaquim Lopez Flores em seu livro "Danças Tradicionais Argentinas” que relata que este ritmo é semelhante a dança Espanhola chamada "La Zamarra", e que esta dança no passar dos tempos foi chamada de "Chamarra” e que na zona da Província de Corrientes sofreu o diminutivo e passou a ser chamada de "Chimarrita”.

     O chamamé como música, dançar valseado, foi muito difundido pelas gravadoras de Buenos Aires, a partir dos anos 40, para o público de Corrientes e vizinhanças do Paraguai. Paixão Cortes e Barbosa Lessa em seu livro "Danças e Andanças da Tradição Gaúcha” nos diz que esta dança Correntina teria nascido da velha Chamarrita do RS, introduzida pelos açorianos.

     Na Argentina o chamamé é dançado em compasso ternário, ou seja o chamamé valseado, na língua indígena guarani, chamamé quer dizer improvisação, no Rio Grande do Sul foi ganhando forma moldando-se através dos tempos. Coreografia dos passos: Compasso quaternário (4 passos para cada lado) ou também campasso único para ambos os lados (4 e 4 ou 1 e 1).

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     "A Polonesa ou Polonaise é dança originária da Polônia que foi mencionada após o ano de 1675. Essa dança de conjunto teria se originado de uma marcha triunfal de antigos guerreiros poloneses.

     Tem o Objetivo de aquecer os bailarinos para o baile. Nas áreas de colonização italiana e alemã, no Rio Grande do Sul, a Polonesie continua sendo a dança solene de abertura de bailes ou ponto culminante de festividades como: Festa do Rei do Tiro e Kerbs”.

     É dançada em ritmo de marchinha. A polonésia era dançada apenas por homens, porém com o passar do tempo foi permitido pares mistos. Coreografia dos Passos: Compasso único com um passo para cada lado ( 1 e 1 ).

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     A marchinha originou-se da África, esse ritmo chegou ao Brasil mais especificamente em Recife, sofrendo direta influência do Frevo, a partir de 1889, a marcha carnavalesca " o abre alas”, lançou este ritmo nos bailes carnavalescos, tornando assim um ritmo mais conhecido.

     Segundo Paixão Côrtes e Barbosa Lessa em sua obra "Danças e Andanças da Tradição Gaúcha "No Brasil, teve origem nos blocos carnavalescos de rua, pois além de peças musical e coreográfica relacionada com o carnaval, o nome indica um dos passos do antigo 'Quicumbis' (Dança de Igreja)”.

     No RS, teve algumas adaptações aos nossos costumes. Coreografia dos Passos: dançado em compasso único em ambos os lados, um passo para cada lado, parecida com a marchinha Alemã. ( 1 e 1 ).

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     "Dança urbana de Buenos Aires, da mesma geração do Tango, mas com melodia e ritmo brejeiro. O sentido do termo provém da língua ”Bunda” da República dos Camarões, (Melunga = palavra, o plural é Milonga)”.

     Descende da Habanera Cubana e o Lundu Africano. No vocabulário africano milonga quer dizer palavra, tem passagem pela Europa de onde adquiriu fortes traços da influência negro e hispânica, Sua pátria contudo é o pampa Riograndense, Uruguaio e Argentino, indícios apontam para o surgimento na Argentina por volta de 1865/1870.

     Onde junto com o Tango de Gardel, tomaram conotações de danças populares argentinas, na Argentina o local onde as pessoas vão dançar tango, o salão de bailes, é chamado de milonga, neste mesmo local são dançados ambos os ritmos, a milonga Argentina, herda do tango a estrutura de seus passos e figuras, no tango o passo básico de 8 tempos, a milonga abrevia em 6 porém a estrutura é muito idêntica, e aos ouvidos de um leigo é quase impercebível a diferença entre os dois ritmos, contudo a diferença se dá na milonga ser mais rápida e compassada em quanto o tango é mais dançado através de estímulos.

     O Rio Grande do Sul adotou esta dança e deu conotações Riograndenses a esta dança aonde a proximidade com a vaneira, originou a milonga dançada nos fandangos gaúchos, que difere da milonga Argentina, a milonga gaúcha é uma dança calma que por ter muitas influências do tango, possui giros lentos entre outros cortantes, lembrando os ganchos e sacadas do tango, todos estes enfeites são criados pela habilidade dos bailarinos. Em 1968 o conjunto Farroupilha gravou pela primeira vez uma milonga no RS, " A Milonga do Bem Querer”.

     Coreografia dos passos: para o peão, uso do compasso binário para a esquerda e o compasso único para a direita e para a prenda, uso do compasso binário para a direita e o compasso único para a esquerda.

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     Origina-se da Mazurca (Dança de origem polonesa) e deriva-se da rancheira e o Terol. Na Argentina a Mazurca deu origem a Mazurca de rancho, aqui entre nós originou a rancheira, assim Rancheira e Terol são derivações de um mesmo gênero.

     No RS a Rancheira é dançada de diferentes maneiras, na região da fronteira é dançada puladinha ou valseada, bem marcada com batida de todo o pé no chão, assemelhando-se assim os movimentos dos pares a um valseado.

     O gaiteiro quando toca segura mais a nota musical, dando mais extensão à nota. Liga (Legatto = ritmo constante) Na região da Serra é dançada salpicado. Na serra difere do estilo fronteiriço apenas na forma de executar, pois dança-se bem rápido e puladinho com acentuada marcação de todo o pé no tempo forte da música (1º tempo).

     O gaiteiro serrano faz uma sequência com interrupção da nota musical. (Stacatto = ritmo alternado)”. No litoral norte e região central o mesmo ritmo é denominado Terol ou Terolzinho, dançado com movimento lateral das pernas alinhando ao corpo e o casal não se enlaça, apenas seguram-se pelos cotovelos.

     A Rancheira é conhecida em todo o RS e largamente executada em nossos bailes tradicionalistas e em bailes e festividades nativistas, sendo considerada dança integrante das danças folclóricas gaúchas. Coreografia dos Passos: compasso ternário em ambos os lados, com marcação forte no 1º passo ( 3 e 3 ).

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     Oriunda da Áustria, muito popular entre os povos germânicos desde o século XVI, em velhos minuetos. Nomes como Josef Laner, Johan Starus Filho e Johan Starus, criaram este gênero musical que iria se tornar mais tarde conhecido em todo o mundo.

     "Sua origem mais próxima vem das danças rústicas alpinas (Austria), destacando-se o Lãndler. Do campo a Valsa foi para as cidades, notabilizando-se, inicialmente em Viena. Expandiu-se por toda a Europa, porém, na França a Valsa assumiu feições próprias (lenta, lânguida, sentimental). No Brasil a Valsa foi cultivadíssima no século passado, desde o nível popular até o erudito”.

     Porém nos demais países da Europa, como por exemplo na França, a Valsa encontrou grandes dificuldades e resistência nos salões Aristocráticos, acostumados apenas a dançar minuetos, achavam essa dança enlaçada e com muitos giros desavergonhados, chegando até ser proibido tocar este ritmo nos salões e quem o executasse seria severamente punido sem exceções. Existem variações da valsa tradicional da qual se incorporou a valsa campeira dançada no RS, a valsa tradicional ou clássica, é dançada em passo 1 e 1, no ato de juntar as pernas.

     A valsa campeira é dançada em compasso ternário, conforme citado abaixo. Coreografia dos Passos: compasso ternário em ambos os lados, com diferenciação do 1º passo para o 2º e o 3º passo ( 3 e 3 ).

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     Oriunda da primitiva Habanera cubana originaria dos negros de Cuba e Haiti, que é uma dança lenta em 2/4 de 1825 que foi exportada para a Espanha e França de onde veio ao Brasil em 1866 e se popularizou no Brasil inteiro lá pelos anos de 1980 depois de ter como foco de irradiação Paris que exportou como modismo da época para o mundo inteiro.

     Chegou ao Rio Grande do Sul sob o nome de Havaneira, posterior à outras danças de par enlaçado como a valsa, xotes, polca e mazurca que hoje deu origem a lambada e ao zouk. Popularizou-se como tema musico coreográfico em fins do século passado e primórdios desse.

     Também chamada simplesmente como vaneira no meio pastoril Riograndense, adquiriu variações coreográficas ao contato com os gaiteiros de botão em nossos bailes gauchescos. É uma aculturação dos ritmos afros pelos cubanos. A Vanera no Rio Grande do Sul é uma música de andamento moderado ...”. Coreografia dos passos: uso do compasso binário, em ambos os lados (2 e 2)

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     Hoje nossos músicos referem-se e executam a vaneirinha a vaneira marcada, o vanerão ou simplesmente a vaneira.

     A denominação varia de acordo com a forma de execução: lenta, marcada ou miudinha.

     Não há diferença entre passo de vaneira e vaneirão, só musicalmente, pois o vaneirão é mais rápido, ou seja mais alegre. "... é uma música de andamento rápido, mas com acompanhamento e características típicas da Habanera”.

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     "Segundo Baptista Siqueira, a Schottisch entrou no Brasil no início da década de 1850, difundindo-se pelo país.

     O nome da dança (é palavra alemã que significa escocesa) é enganoso, pois conforme o Grove´s Dictionary of Music and Musicians (5ª ed. 1955), do ponto de vista moderno é que essa dança nada tem a ver com a Escócia. É uma dança de procedência francesa com nome escocês.

     O compasso do Schottisch é binário ou quartenário e o andamento é rápido”. Chegou ao Brasil por volta de 1825, entre as danças de vivência popular atual é o mais rico em figuras coreográficas, guardou de modo geral os passos da dança origem, mas enriquece-se de uma série de variantes a determinadas regiões Riograndenses.

     Coreografia dos passos: compasso binário em ambos os lados e com marcação após o 2º passo, ( 2 e 2 ).

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