Esta, quem me contou, foi uma amiga, funcionária do Banco do Brasil.
Certa ocasião apareceu na agência de Rio Pardo um colono que estava pretendendo tornar-se mutuário da Carteira Agrícola.
Depois de atendido por um funcionário, e sabida sua pretensão, o mesmo encaminhou-o a um colega, encarregado do cadastro que tinha que lhe fazer umas perguntinhas para preencher sua ficha.
O cidadão sentou-se e começou a ser bombardeado por uma porção de perguntas:
- Seu nome?
- Candoca
- Não, seu nome mesmo, não apelido...
- Ah, sim, Cândido da Mota.
- Mora no município?
- Sim.
- Onde?
- Perto das Mesas.
- Quantos quilômetros daqui?
- Mais ou menos uns vinte...
- Que é que o senhor planta?
- Fumo...
- O senhor é proprietário?
- Sou, sim senhor, tenho doze equitárias.
- Doze hectares. Tá bem. Diga uma coisa, o senhor é casado?
- Sou, sim senhor.
- Qual é o regime do casamento?
- Ué, tem que dizer isso também?
- Claro, senão o seu cadastro não fica completo.
- Bem, se é assim, vou lhe dizer: Mais ou menos duas ou três vezes por semana...
CABRAL, Alceu. Causos e lorotas. Porto Alegre: Martins Livreiro, 2003.