21/10/2006 - O Cadastro - Alceu Cabral

     Esta, quem me contou, foi uma amiga, funcionária do Banco do Brasil.

     Certa ocasião apareceu na agência de Rio Pardo um colono que estava pretendendo tornar-se mutuário da Carteira Agrícola.

     Depois de atendido por um funcionário, e sabida sua pretensão, o mesmo encaminhou-o a um colega, encarregado do cadastro que tinha que lhe fazer umas perguntinhas para preencher sua ficha.

     O cidadão sentou-se e começou a ser bombardeado por uma porção de perguntas:

     - Seu nome?
     - Candoca
     - Não, seu nome mesmo, não apelido...
     - Ah, sim, Cândido da Mota.
     - Mora no município?
     - Sim.
     - Onde?
     - Perto das Mesas.
     - Quantos quilômetros daqui?
     - Mais ou menos uns vinte...
     - Que é que o senhor planta?
     - Fumo...
     - O senhor é proprietário?
     - Sou, sim senhor, tenho doze equitárias.
     - Doze hectares. Tá bem. Diga uma coisa, o senhor é casado?
     - Sou, sim senhor.
     - Qual é o regime do casamento?
     - Ué, tem que dizer isso também?
     - Claro, senão o seu cadastro não fica completo.
     - Bem, se é assim, vou lhe dizer: Mais ou menos duas ou três vezes por semana...

CABRAL, Alceu. Causos e lorotas. Porto Alegre: Martins Livreiro, 2003.