O Joca jogou uma nota com um de seus conhecidos como entraria no último vagão do noturno e passaria correndo por toda a composição nu em pêlo.
De noite, quando o trem chegou o Joca, vestido com uma capa de chuva apenas sobre o corpo, entrou no último vagão.
Um de seus irmãos entrou correndo atrás dele, segurou a capa com força e gritou:
- Me ajudem que ele é louco furioso !!!
Com esta o Joca saiu correndo, deixando a capa nas mãos de seu irmão.
Este, correndo atrás, gritava:
- É louco furioso, cuidado, cuidado que é louco furioso...
As pessoas que viajavam esta noite no noturno assistiram constrangidas um homem louco, completamente nu, entrar em uma ponta e sair na outra do trem e se sumir na noite.
- Que horror!
- Coitado!
- Que desaforo!
- Cruzes!
Logo depois o Joca fazia uma enorme festa com o dinheiro que havia ganho na aposta...
CABRAL, Alceu. Causos e lorotas. Porto Alegre: Martins Livreiro, 2003.