21/10/2006 - O Louco - Alceu Cabral

     O Joca jogou uma nota com um de seus conhecidos como entraria no último vagão do noturno e passaria correndo por toda a composição nu em pêlo.

     De noite, quando o trem chegou o Joca, vestido com uma capa de chuva apenas sobre o corpo, entrou no último vagão. Um de seus irmãos entrou correndo atrás dele, segurou a capa com força e gritou:

     - Me ajudem que ele é louco furioso !!!

     Com esta o Joca saiu correndo, deixando a capa nas mãos de seu irmão.

     Este, correndo atrás, gritava:

     - É louco furioso, cuidado, cuidado que é louco furioso...

     As pessoas que viajavam esta noite no noturno assistiram constrangidas um homem louco, completamente nu, entrar em uma ponta e sair na outra do trem e se sumir na noite.

     - Que horror!

     - Coitado!

     - Que desaforo!

     - Cruzes!

     Logo depois o Joca fazia uma enorme festa com o dinheiro que havia ganho na aposta...

CABRAL, Alceu. Causos e lorotas. Porto Alegre: Martins Livreiro, 2003.