O "seu" Camargo, agente local da Viação Férrea, sabia quem eram os brincalhões que tanto incomodavam com suas molecadas. Sabia, mas não podia fazer nada, porque tudo que eles fizessem era encoberto pela cumplicidade dos habitantes locais.
Há, por exemplo, o episódio das latas vazias. O Joca e a turma recolheram em toda a vila todas as latas vazias que encontraram, amarraram a todas elas pedaços de arame de trama e aguardaram a chegada do trem noturno.
Quando o trem parou, tudo que era guri da vila ajudou atarem todas as latas embaixo do trem.
Quando o mesmo se movimentou foi um Deus nos acuda. Parecia que tinham soltado todos os demônios do inferno e a bateção de latas vazias sendo arrastadas se sumiu na noite puxadas por um trem que era conduzido por pessoas que só queriam se ver longe daquela malfadada estação.
CABRAL, Alceu. Causos e lorotas. Porto Alegre: Martins Livreiro, 2003.